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Dog Day – Ação visa informar para incluir




No dia 28 de abril a Secretaria de Inclusão da Pessoa com Deficiência do Sindicato dos Comerciários de São Paulo realizou o Dog Day – evento em comemoração ao Dia Internacional do Cão-Guia.

O Dog Day é um projeto da Diversitas Soluções Inclusivas, cujo objetivo é promover informação de qualidade para facilitar a convivência das comunidades com usuários e socializadores de cães de assistência.

Na ocasião, foi possível aprender sobre direitos e deveres de usuários e socializadores de cães-guias e de serviços em ambientes de trabalho e consumo.

A Happy Life participou do painel sobre a importância em oferecer serviços com recursos de tecnologia assistiva e acessibilidade comunicacional.
 
Os debates foram mediados por Renata Andrade, diretora da Diversitas; Diego Castro, deficiente visual e usuário de um cão-guia; e pela advogada Carolina Vizeu.
  

“Em breve, o Sindicato fará 75 anos e, nos últimos tempos, tem avançado bastante no desenvolvimento de ações cidadãs, buscando quebrar paradigmas, valorizar o ambiente de trabalho e os salários, além de fortalecer o respeito. Este é um momento de reflexão que tem como proposta um tema tão relevante: a solidariedade. Devemos fazer cada vez mais eventos que despertem o sentido da valorização do ser humano, das relações com as pessoas e os animais. É uma atividade que engrandece nosso Sindicato e todos os trabalhadores”, disse Ricardo Patah, presidente do Sindicato. 


É lei!
Na terça, 26, a deputada Mara Gabrilli protocolou o projeto de lei nº 5083/2016 que visa garantir a intervenção assistida por animais como parte do processo de melhoria da qualidade de vida de pessoas com deficiência, idosos, pacientes de doenças crônicas e indivíduos com transtorno global do desenvolvimento. O texto assegura ao usuário, junto ao seu animal de intervenção assistida, o direito de ingressar e de permanecer em qualquer meio de transporte e estabelecimento aberto, tanto de uso público quanto privado.

Os cães de intervenção assistida são geralmente classificados da seguinte forma: cão-guia, para pessoas cegas ou com baixa visão; cão de serviço, para auxiliar pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida; cão de sinalização ou cão para surdos, com a finalidade de indicar fontes sonoras para pessoas surdas ou com deficiência auditiva; cão de alerta, para avisar a pessoas com doenças crônicas, como epilepsia, por exemplo, da proximidade de ocorrência de um ataque; cão para pessoas com Transtorno do Espectro Autista – TEA, adestrado para cuidar da integridade física e controlar situações de emergência.

De acordo com a Lei nº 13.146, o animal de intervenção assistida é considerado uma tecnologia assistiva ou ajuda técnica. Ele deve ser individualmente treinado e qualificado para realizar serviços ou tarefas específicas, sendo a ele assegurado proteção, qualidade de vida e bem estar.


O processo
Para que o cachorro se torne um cão de assistência, é preciso passar por algumas etapas. Primeiro, leva-se em consideração a genética. Depois, o cão passa pela família socializadora – etapa mais importante do processo. Ele aprende comandos, acompanha a pessoa em todos os lugares, inclusive o trabalho, e aprende a andar com a guia e o colete quando está trabalhando.

A partir daí, o cachorro aprende a ter boas maneiras, frequentar lugares públicos, pegar ônibus, ou seja, passa a ter uma vida sociável. Depois de 18 meses com a família socializadora, ele volta para a escola de treinamento. A quarta e última etapa é unir o perfil do cão ao do usuário e entregá-lo para trabalhar com a pessoa com deficiência.


Experiências
Diego Castro explica que o cão-guia tem a função de guiar as pessoas com deficiência visual, desviando de obstáculos e escolhendo o melhor caminho a ser seguido por uma calçada, corredor, parque. “Ele alerta com relação a portas, degraus, escadas, cadeiras, enfim, temos a possibilidade de ensinar os cães para que eles tornem nossa vida o mais independente possível”, diz o rapaz que hoje tem como guia a cachorra Pixel.

“Há pré-requisitos que devem ser respeitados. Primeiro, dominar a orientação e a mobilidade. Se não tem prática com a bengala branca, por exemplo, não vai conseguir ter um guia. Além disso, o usuário tem que ter uma vida ativa e condições financeiras para manter o cão”, explica Renata Andrade. 


Sobre o perfil do socializador, ela explicar que “tem que ser pessoas que queiram se engajar no projeto, porque é um trabalho voluntário, e que saibam que terão que entregar o cão. Precisa estar com o cachorro o tempo inteiro, em todos os lugares. Acima de tudo, o socializador precisa entender o projeto. É um processo seletivo difícil”. 
“Sou professor e eu me apego muito aos meus alunos. Quando vejo que meu aluno vence na vida e alcança o sucesso, dá aquele orgulho. Como socializador de cães, é a mesma sensação. Quando vejo a Hilary (primeiro cão-guia) desenvolvendo o trabalho tão bem, me orgulho muito”, conta o socializador Neimar Daineze. 

O professor conta, ainda, que não é fácil fazer as pessoas entenderem que o cão pode e precisa entrar nos lugares. “Já fui barrado no metrô, no supermercado. Apesar de haver uma lei que garante a entrada de cães-guia nos lugares, as pessoas contestam. Ainda mais porque eu não sou deficiente. Mas preciso fazer esse trabalho para que as pessoas com deficiência, posteriormente, sejam guiadas. Dentro das empresas, o problema maior é para os socializadores, pois os usuários são bem recebidos.”

Segundo os usuários presentes, os maiores problemas enfrentados não são no ambiente de trabalho. As dificuldades estão, principalmente, em estabelecimentos públicos – uma vez que os proprietários desconhecem a lei – e nos transportes – pelo mesmo motivo.

“O Duke, meu cão-guia, é um pastor alemão. Por lei, posso entrar no táxi com ele. Por isso, não tenho que pedir um táxi que aceite pet. Mas esse é um processo sempre bastante complicado. Você se desgasta, avisa que pode chamar a polícia, discute e, só depois de tudo isso, é levada ao seu destino”, diz Marina, também deficiente visual.

Gabriel, guiado pela cadela Júlia, também nunca teve problemas no trabalho. “Mas uma vez meu irmão ficou internado 20 dias e, no último, o segurança não queria me deixar entrar. O cão-guia não pode entrar em lugares como UTI, cozinhas, mas no quarto do hospital ele pode. Chamei a polícia e foi aquele papo de sempre: ‘foi um mal-entendido, achamos que ele ia na UTI’. Já fui barrado em estabelecimentos comerciais, fiz denúncia pela internet e os proprietários entraram em contato. Há pessoas que não conhecem a lei, mas que, quando você explica, entendem. Outras não querem nem saber. O cachorro brasileiro é muito humanizado, então, é considerado bagunceiro, aquele que vai pedir comida. Mas nem todos são assim. Muito menos o cão-guia. Ter um cão-guia exige um preparo psicológico, pois você sabe que vai passar por muitas situações estressantes. Mas é importante lembrar que temos direitos, mas também temos deveres, como manter o cachorro higienizado, escovado e portar a documentação.”

Essa ideia é reforçada pela advogada Carolina, que vai mais fundo: “O cão de assistência é um recurso de tecnologia assistida. Além da complexidade do treinamento, há também a complexidade do perfil do usuário. Muitas vezes, a pessoa precisa fazer adaptações na sua casa. O interruptor de luz tem que ser mais baixo, a gaveta do remédio tem que ser sempre a mesma. Ou seja, a pessoa precisa estar disposta a se adaptar ao cão também. Muitas vezes, a pessoa com deficiência já está tão acostumada a fazer tudo sozinha que acaba tendo receio de ter um cão e precisar de readaptar”. 


Homenagem
“Diante de todas as dificuldades que os usuários e os socializadores enfrentam, queremos reconhecer quem faz um bom trabalho. Todos os anos, vamos homenagear um profissional que, em sua área, contribua para que usuários e socializadores consigam usufruir de seus direitos. Este ano, escolhemos o Seu Rezende, um taxista que faz diferente”, foi assim que Renata anunciou a homenagem ao senhor Dorli Antônio Rezende, taxista há 17 anos, que conheceu o projeto pela diretora da Diversitas há quatro e, desde então, atende deficientes com seus cães de assistência.



“Estou emocionado e grato pelo reconhecimento. Como taxista, quero explicar que o departamento de transporte público de São Paulo tem uma lei específica para condução de cães-guia ou em treinamento. Fui atrás dessa informação para espalhar aos meus colegas, pois ninguém sabia nada. É muito bom se informar e poder prestar serviços a todas as pessoas, sem nenhum tipo de distinção”, disse Seu Rezende, que recebeu uma placa das mãos de Diego e do vice-presidente do Sindicato dos Comerciários, Gonzaga da Cruz.

“É de pessoas assim que precisamos. É essa atitude, esse trabalho que temos que divulgar entre os comerciários e toda a sociedade, para servir de exemplo”, falou Gonzaga.


Dados
De acordo com o último Censo do IBGE, realizado em 2010, de 45,6 milhões de pessoas com deficiência, cerca de 18% afirmaram ter dificuldade para enxergar, mesmo com óculos ou lentes de contato. Mas, apesar desse enorme contingente, o Brasil só conta hoje com cerca de 100 cães-guia em atividade. Mais de 2,2 mil brasileiros cegos estão cadastrados em filas de espera por um animal treinado.


  
 Fonte: Sindicato dos Comerciários 


 Camisetas da Pillow Poster 







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